PM ataca trabalhadores e agride líder sindical idoso ao reprimir greve de metalúrgicos no PR

Funcionárias grevistas da empresa Brose do Brasil precisaram receber socorro médico nesta quarta (04)

Por Paulo Batistella e Catarina Duarte – Ponte Jornalismo

A Polícia Militar do Paraná (PMPR) atacou trabalhadores da Brose do Brasil, uma multinacional fabricante de peças automotivas, durante um ato grevista em frente à sede da empresa em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, nesta quarta-feira (4/2).

Policiais foram filmados espirrando spray de pimenta no rosto dos manifestantes, incluindo mulheres, quando não havia ameaça aos agentes. Os militares também foram gravados agredindo com um mata-leão e algemando pelas costas um dirigente sindical idoso, que, deitado, não reagia à detenção.

A PM do governador Ratinho Junior (PSD) protagonizou as agressões quando o ato ocupava a Rua Max Brose, uma pequena alça da Avenida Volkswagen Audi que serve exclusivamente de acesso à Brose, nos arredores de São José dos Pinhais. Trabalhadoras atacadas pela PMPR precisaram receber socorro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) devido aos efeitos do spray de pimenta.

Líder sindical idoso já foi candidato de oposição a governador

O dirigente sindical detido com violência na ocasião é Nelson Silva de Souza, de 60 anos. Além de ser vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), à frente do movimento grevista, ele é conhecido no Paraná por sua atuação como político. Em 2008, foi eleito vereador de Campo Largo, também no entorno de Curitiba, pelo MDB. Já em 2022, tentou sair candidato a deputado estadual pelo PT, sigla de oposição ao governador bolsonarista Ratinho Júnior (PSD).

A Ponte questionou a PMPR sobre o motivo das agressões e da detenção do líder sindical, entre outras coisas. Em nota encaminhada após a publicação desta reportagem, a corporação alegou que Nelson teria desacatado policiais na altura em que tentavam desbloquear a entrada da empresa.

“O indivíduo não acatou a ordem policial para liberação da entrada, motivo pelo qual recebeu voz de prisão pelos crimes de Desacato, Atentado contra a Liberdade de Trabalho (art. 197 do Código Penal) e Resistência à Prisão”, comunicou a PMPR, segundo a qual os grevistas teriam impedido a passagem de cerca de 30 funcionários da Brose.

O sindicato afirma que a PMPR foi convocada ao local pela multinacional. A empresa tem adotado práticas antissindicais e usado da força policial para oprimir trabalhadores, ainda segundo a entidade sindical. “Trabalhadores estão sofrendo pressão e assédio desde o início das mobilizações. O Sindicato tem tido dificuldade para realizar assembleias devido a frequente intervenção policial”, divulgou o SMC.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) manifestou apoio a Nelsão da Força, como o dirigente detido é conhecido, e repudiou a conduta da PMPR. “As agressões e a consequente detenção do companheiro Nelsão configuram, novamente, a dificuldade da gestão de Ratinho Júnior e de parte do empresariado paranaense em lidar com o contraditório e negociar avanços sociais”, comunicou.

O PT no Paraná também se manifestou. “Não é papel da Polícia Militar, em hipótese alguma, o uso da força e da violência contra trabalhadores que estão exercendo seu direito legítimo de greve e manifestação”, escreveu, em nota. “O Setorial do PT cobra a imediata libertação de Nelsão da Força, o afastamento dos policiais que participam da ação violenta e uma resposta tanto da Secretaria da Segurança Pública do Paraná quanto do governador Carlos Massa Ratinho Júnior.”

Trabalhadores da Brose pedem reajuste salarial e benefícios

Os trabalhadores da Brose entraram em greve na quarta-feira anterior (28/1). De acordo com o SMC, eles recebem, em média, R$ 2,5 mil de salário, além de um vale-mercado de R$ 500. A multinacional não paga Participação de Lucros e Resultados (PLR) aos funcionários, o que eles reivindicam com a greve.

Os grevistas pedem também uma correção salarial equivalente à varição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acrescida de um aumento real de 2,5%. Também solicitam a equiparação do vale-mercado ao de empresas do mesmo segmento e uma discussão sobre a jornada de trabalho.

Além da PMPR, a Ponte procurou a Brose do Brasil, o Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) e o Ministério Público paranaense (MPPR). Não houve retorno até aqui.

Leia a íntegra do que diz a PMPR

A Polícia Militar do Paraná (PMPR) informa que foi acionada na manhã desta quarta-feira (04 fev. 26) no município de São José dos Pinhais, para atendimento de ocorrência em frente à empresa Brose do Brasil, onde ocorria uma manifestação sindical. No local, integrantes do Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná (SMC) concentraram-se na entrada da empresa, o que resultou na restrição de acesso de aproximadamente 30 (trinta) trabalhadores às dependências da unidade, impedindo o livre exercício do trabalho.

Diante da situação, a Polícia Militar garantiu aos trabalhadores o direito constitucional ao trabalho, com a oferta de escolta policial, caso fosse necessário para o ingresso na empresa. Da mesma forma, foi assegurado a todos os presentes o direito de greve, bem como a permanência no local, desde que de forma pacífica.

Entretanto, o manifestante, Nelson Silva de Souza, passou a desacatar a equipe policial, afirmando que não permitiria a entrada de nenhum trabalhador, alegando que todos deveriam, obrigatoriamente, participar da assembleia. O indivíduo não acatou a ordem policial para liberação da entrada, motivo pelo qual recebeu voz de prisão pelos crimes de Desacato, Atentado contra a Liberdade de Trabalho (art. 197 do Código Penal) e Resistência à Prisão.

Em razão da resistência apresentada, foi necessário o uso diferenciado e seletivo da força para o encaminhamento do manifestante à Delegacia de Polícia, com a finalidade de preservar a ordem pública e assegurar o cumprimento da lei, observados os princípios da legalidade, necessidade e proporcionalidade.

Por Jornal da República em 05/02/2026
Aguarde..