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A transição energética no transporte público fluminense deve ser acompanhada de estratégias para reconquistar passageiros perdidos, alertou Richele Cabral, diretora executiva da Semove (Federação das Empresas de Mobilidade do Estado do Rio de Janeiro), durante o Fórum de Transição Energética.
Segundo a engenheira civil com mestrado em transportes, nos últimos dez anos, 50% dos passageiros deixaram de usar ônibus no estado, tornando essencial que a descarbonização seja acompanhada de melhorias na qualidade do serviço para garantir sustentabilidade real do sistema.
Infraestrutura viária é prioridade para atrair passageiros de volta.
A principal demanda dos usuários para retornar ao transporte público é a redução do tempo de viagem, segundo pesquisas acompanhadas pela Semove. "Um item primordial e essencial para que as pessoas voltem a usar o sistema de transporte é tempo de viagem", explicou Richele Cabral, destacando que investimentos em corredores expressos e exclusivos são fundamentais para tornar o sistema competitivo em relação ao transporte individual.
A estratégia defendida pela Semove prioriza melhorias na infraestrutura viária antes da implementação massiva de veículos elétricos. "A gente acredita que investimentos em infraestrutura, em corredores expressos, corredores exclusivos, são essenciais para que essas pessoas voltem e de fato a sustentabilidade passa a funcionar", enfatizou a diretora, conectando sustentabilidade ambiental com viabilidade econômica do sistema de transporte público.
Nova licitação não prevê repasse de custos para passageiros.
O modelo de licitação em preparação não incluirá pagamento de outorga onerosa, evitando repasse direto dos custos da transição energética para os usuários. "Nessa licitação, pelo que a gente conhece da minuta, não haverá pagamento de outorga", revelou Richele Cabral, explicando que toda vez que existe outorga onerosa, isso automaticamente volta para o sistema através de aumentos tarifários.
Os investimentos em veículos elétricos ou a gás serão responsabilidade das concessionárias, sem impacto direto no valor da tarifa para passageiros. "Mesmo com a transição energética, com a obrigação de colocação de alguns veículos elétricos ou a gás, isso vai ficar por conta da concessionária, então não mexe no valor da tarifa para o passageiro", garantiu a diretora, sinalizando proteção tarifária durante o período de transição tecnológica.
Transição gradual respeitará limitações de infraestrutura urbana.
A implementação de ônibus elétricos será gradual, respeitando limitações de infraestrutura urbana e capacidade de adaptação das garagens existentes. "Não é uma transição rápida. Mas ela precisa começar de certa forma. Então ela vai começando aos pouquinhos", explicou Richele, destacando que nem todas as garagens possuem infraestrutura adequada para receber sistemas de carregamento elétrico.
A adaptação urbana envolve questões que vão além dos veículos, incluindo rede elétrica, sistemas de carregamento e modificações nas garagens. "Não necessariamente onde tem garagem tem uma estrutura elétrica que precisa chegar", alertou a diretora, evidenciando a complexidade logística da transição energética no transporte público urbano.
Brasil ainda está em fase inicial comparado a referências internacionais.
O Brasil mantém experiências pontuais com ônibus elétricos em cidades como Goiânia, Curitiba, São Paulo e Porto Alegre, mas ainda não possui implementação massiva da tecnologia. "São processos que estão no início, ainda fazendo testes, verificando qual a melhor tecnologia ou vendo qual é a melhor marca", detalhou Richele Cabral, contrastando com referências internacionais como o Chile.
O Chile emergiu como segunda referência mundial em ônibus elétricos, ficando atrás apenas da China em número de veículos operando. "O Chile hoje é o país que mais tem ônibus elétricos depois da China", destacou a diretora, sugerindo que experiências sul-americanas podem servir como modelo para implementação brasileira, considerando similaridades geográficas e econômicas.
Integração modal será ampliada após nova licitação.
A nova licitação prevê remodelagem da malha de transporte público, com foco em maior integração entre diferentes modais. "A ideia é que a malha possa cada vez mais ter uma oferta maior para o passageiro, uma malha que, após a licitação, ela seja remodelada", explicou Richele, destacando integração com metrô, trem e barcas como objetivo estratégico.
A ampliação da oferta visa criar um sistema mais atrativo para usuários, combinando diferentes opções de transporte em rede integrada que facilite deslocamentos urbanos. A estratégia reconhece que a competitividade do transporte público depende não apenas de veículos modernos, mas de um sistema integrado que ofereça conveniência comparável ao transporte individual.
Semove representa 174 empresas em defesa da descarbonização equilibrada.
A Semove, que representa 174 empresas de ônibus no estado do Rio de Janeiro, apoia a descarbonização, mas defende uma transição equilibrada que considere viabilidade econômica e qualidade do serviço. "Nós da Semove, que é a Federação das Empresas de Mobilidade do Estado do Rio de Janeiro, apoiamos e acreditamos na descarbonização", afirmou Richele, ressaltando que a preocupação é que ela aconteça como um todo.
A posição da federação equilibra compromisso ambiental com sustentabilidade econômica do setor, reconhecendo que a transição energética deve ser acompanhada de políticas que garantam atratividade do sistema para usuários e viabilidade para operadores.

Entrevista feita no Fórum de Transição Energética no Transporte Público do Estado do Rio de Janeiro - 03 e 04 de Fevereiro de 2026 | Rio de Janeiro/RJ - Realização Fundação Rede Criativa
Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Ralph Lichotti - Advogado e Jornalista, Editor do Ultima Hora Online e Jornal da República, Foi Sócio Diretor do Jornal O Fluminense e acionista majoritário do Tribuna da Imprensa, Secretário Geral da Associação Nacional, Internacional de Imprensa - ANI, Ex- Secretário Municipal de Receita de Itaperuna-RJ, Ex-Presidente da Comissão de Sindicância e Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa - ABI - MTb 31.335/RJ
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