'Comida é poesia': CEO do Aim na Manteiga leva ao G10 um buffet criado a partir da memória do pai agricultor

Viviane Costa apresenta no Museu Naval a marca que batizou em homenagem a Sebastião Costa, que colhia inhame no quintal em Miracema para servir o café da manhã da família

A CEO e idealizadora do Aim na Manteiga, Viviane Costa, foi uma das expositoras do encontro do G10 Empresas e Valores e Negócios realizado no Museu Naval, no centro do Rio, com o tema Liderança Empreendedora Feminina. Ela chegou com uma tese que sustenta o negócio inteiro.

"A gente tem a proposta de trazer uma gastronomia com elegância, com fluidez, um serviço de qualidade e que fique na memória afetiva das pessoas. A gente sabe que comida é poesia, comida envolve as pessoas, traz felicidade e alegria."

O nome que nasceu no quintal

A marca não foi criada em pesquisa de mercado. Foi criada em cima de uma lembrança.

"Minha família é toda de Miracema. Meu pai tinha um amor muito grande pela gastronomia e ele era agricultor. A gente trabalhou uma época na feira", contou.

O hábito que virou nome é específico. "As minhas melhores memórias a respeito do meu pai era quando ele ia no quintal de casa buscar as raízes do inhame, cozinhar as raízes do inhame e servir aquele café da manhã delicioso para a gente."

E fechou a história com a frase que amarra tudo. "Nossa família só iniciava o dia após a família reunida em volta da mesa tomando café da manhã. Por isso, a minha empresa Aim na Manteiga é uma homenagem ao meu pai, senhor Sebastião Costa."

Miracema, a cidade que explica a origem

A origem familiar não é detalhe afetivo apenas — é geografia econômica. Miracema fica no Noroeste Fluminense, a cerca de 300 quilômetros da capital, e teve sua história moldada pela agricultura familiar.

O município nasceu como Santo Antônio dos Brotos, virou Miracema em 1883 — do tupi-guarani "ybira-cema", a madeira que brota — e foi elevado a município em 1935. No século XIX, viveu o ciclo do café, do algodão e da cana. Depois da derrocada cafeeira, diversificou: hoje a pecuária leiteira é a principal atividade rural, acompanhada de arroz, milho e feijão.

Dado de Miracema Informação
Região Noroeste Fluminense
Município criado 1935
Distritos Sede, Paraíso do Tobias e Venda das Flores
Economia rural atual Pecuária leiteira, arroz, milho e feijão
Origem do nome "ybira-cema" — madeira que brota

A região tem peso simbólico na produção de alimentos do estado. O Noroeste Fluminense concentra 89% da produção de café do Rio de Janeiro, com mais de 3 mil produtores e 12,6 mil hectares cultivados, majoritariamente em agricultura familiar. É essa lógica de pequena produção, colheita no quintal e mesa farta que aparece no nome do buffet.

Como contratar

Questionada sobre o modelo de atendimento, a resposta foi direta. "Pode chamar a gente pelo nosso Instagram, @aimnamanteiga."

A proposta é de serviço completo para eventos. "Se você precisa de uma gastronomia que leve uma experiência que fique na memória afetiva dos seus convidados, fale com a gente."

No evento, ela montou uma mesa expositiva com produtos da marca — formato de degustação usado em feiras e encontros de negócios para converter público em contrato.

Por que memória afetiva virou argumento comercial

O conceito que Viviane escolheu não é apenas retórico. O setor de alimentação fora do lar vem migrando do produto para a experiência, e o mercado de eventos corporativos e sociais acompanha essa lógica: o contratante não compra apenas refeição, compra o que o convidado vai lembrar.

A gastronomia afetiva ocupa esse espaço porque dispensa explicação. Um prato que remete a uma casa de infância atravessa a barreira da crítica técnica — o cliente não avalia apenas sabor, avalia reconhecimento.

É o mesmo mecanismo que sustenta restaurantes de comida caseira em bairros tradicionais e que explica o sucesso de marcas construídas em torno de receitas de família.

O caminho inverso da migração

Há, na história de Viviane, um movimento geográfico que se repete entre empreendedores fluminenses: sair do interior rumo à capital e levar o interior junto.

A CEO nasceu em uma família de Miracema, trabalhou em feira, e hoje opera um buffet que atende eventos no Rio de Janeiro — apresentando-se em um encontro de empresários no centro da cidade.

O produto que ela vende é, em essência, essa ponte. Um café da manhã de quintal servido com apresentação de fine dining, em um espaço que leva o nome do que o pai plantava.

O lugar da fala no painel

O encontro do G10 desta edição teve como eixo a Liderança Empreendedora Feminina e reuniu, entre outras, a vice-governadora eleita Fernanda Louback, a comandante Andrea de Fátima, a cosmética Anna Telles e a diretora de multinacional Simone Divin.

O padrão que se formou no palco foi o das trajetórias que começam fora do circuito corporativo — na maternidade atípica, na rua, no comando de navio, na feira do interior — e desembocam em operações empresariais estruturadas.

O caso de Viviane acrescenta a esse conjunto uma variante comum e pouco discutida: a empresa nascida como homenagem, em que o nome da marca é, ao mesmo tempo, estratégia de posicionamento e declaração de origem.

Bio de Viviane Costa

Viviane Costa é idealizadora e CEO do Aim na Manteiga, buffet de gastronomia e serviços para eventos sediado no Rio de Janeiro, construído sobre uma proposta que ela resume em uma frase: comida é poesia.

Nascida em uma família de Miracema, no Noroeste Fluminense, cresceu em meio à rotina de agricultura familiar — o pai, Sebastião Costa, era agricultor e chegou a trabalhar em feira com a família — e foi nesse contexto que nasceu o hábito que daria nome à empresa.

Todas as manhãs, o pai colhia raízes de inhame no quintal, cozinhava e servia o café da manhã; a família só começava o dia depois de reunida à mesa.

Décadas depois, esse ritual virou marca, posicionamento e método de trabalho: o Aim na Manteiga foi batizado em homenagem ao pai.

À frente do negócio, Viviane estruturou uma operação de catering voltada a eventos sociais e corporativos, com foco em apresentação elegante, fluidez de serviço e construção de memória afetiva para os convidados — diferencial que ela considera decisivo em um mercado em que o cliente não compra apenas refeição, mas o que o convidado vai lembrar.

Em outubro de 2026, apresentou a marca como expositora no encontro de Liderança Empreendedora Feminina do G10 Empresas e Valores e Negócios, no Museu Naval, no centro do Rio, ao lado de nomes como a vice-governadora eleita Fernanda Louback, a comandante Andrea de Fátima e a empresária Anna Telles.

Sua trajetória repete um movimento comum entre empreendedores fluminenses: sair do interior levando o interior junto, transformando origem em produto. Instagram: @aimnamanteiga.

Por Ralph lichotti e Robson Talber @robsontalber 

Repórter Oscar Muller @oscarmulleroficial

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Por Jornal da República em 03/11/2026
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