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O chef Pedro Alex, presidente nacional da ABRACHEFS — Associação Brasileira de Chefs de Cozinha e Bartenders — e curador do Circuito Gourmet Internacional de Chefs, foi entrevistado no segundo dia do evento O Mundo à Mesa, no Rio Othon Palace, em Copacabana.
A conversa começou pelos números, que ele apresentou de memória e em sequência. "Segundo dia de evento: foram 22 chefs de cozinha, 22 aulas-show com 18 nacionalidades diferentes. Esse mosaico cultural, gastronômico, mundial. Foram 12 concursos. Ontem, o nosso Jantar Magno, coroado com um jantar a seis mãos. Os dois dias, casa cheia, lotada, graças a Deus."
Quase 14 anos de construção
O volume não surgiu por acaso, e o presidente fez questão de localizar a origem. "É um trabalho que a gente vem fazendo ao longo de quase 14 anos, que vai sendo coroado, juntamente com a associação — a associação sendo realizadora desses grandes eventos de gastronomia não só no Rio de Janeiro, mas também em todo o Brasil."
O dado confere com a trajetória registrada. Pedro Alex construiu sua carreira a partir do Circuito Gourmet, projeto que fundou e que hoje se desdobra em etapas nacionais.
Foi vencedor do Enchefs 2018, coordenador regional da edição carioca do concurso em 2021, recebeu a medalha Alumni Diamante da UNESA e, em 2019, foi consagrado Embaixador da Gastronomia do Estado do Rio de Janeiro, título vitalício concedido pelo Comitê da Gastronomia Brasileira.
| Frente | Realização |
|---|---|
| Evento (2026) | 22 chefs, 22 aulas-show, 18 nacionalidades |
| Concursos | 12 modalidades técnicas |
| Jantar Magno | Menu a seis mãos, cinco passos harmonizados |
| Trajetória do evento | ~14 anos de realização |
| Prêmio individual | Vencedor do Enchefs 2018 |
| Coordenação | Enchefs RJ 2021 |
| Título | Embaixador da Gastronomia do RJ (2019, vitalício) |
A surpresa de quem vê de fora
O entrevistador fez uma observação que vale registrar, porque desmonta um preconceito estrutural do setor. Ele esperava encontrar empresas expondo produtos, mas ficou impressionado com as aulas em andamento.
"O que me surpreendeu foi a qualidade, o ensino, a postura que cada docente estava apresentando. Porque normalmente se tem ideia que essas pessoas que trabalham nesse ramo parece que não são pessoas que estudam e têm conhecimento. E a gente observa a disciplina, a organização, a limpeza."
A fala é sincera e expõe o estigma que persegue a profissão: a suposição de que cozinhar é talento inato, não formação. O que o evento entrega, na prática, é a evidência contrária — docentes com método, cronograma e padrão de execução diante do público.
A explicação da eficiência
Perguntado sobre a razão dessa organização, Pedro Alex recorreu à lógica hoteleira, que conhece de dentro.
"A hierarquia é muito presente, é verticalizado. Os processos são rígidos, são rigorosos. Por quê? A gente tem metas a cumprir, metas a bater.
E o mercado também tem muitos players, muitos jogadores na disputa por esse hóspede, esse cliente. Então você tem que entregar o melhor."
E detalhou o que significa "o melhor" em uma operação de hospedagem. "Você está dentro de um hotel. Você tem que entregar a melhor alimentação, o melhor recebimento, o melhor serviço de camareiro, de camareira.
É isso que faz a gente buscar cada vez mais e ter essa rigorosidade em todos os processos: desde uma boa higienização, uma boa arrumação, uma boa limpeza, ou o cheiro que tem ao chegar no ambiente."
"Então tudo é um conjunto durante todo esse processo, e vai corroborar nesse evento maravilhoso, gigantesco, plural, de várias coisas acontecendo ao mesmo tempo."
A pergunta seguinte, sobre como é possível fazer tudo simultaneamente, recebeu uma resposta de uma palavra. Disciplina.
A confirmação da parceria internacional
No bloco final, o entrevistador trouxe uma informação que circulava nos bastidores: o chef italiano Pasquale Iuliani, jurado do evento, teria dito que estava negociando uma novidade para o ano seguinte "dependendo do Pedro".
A confirmação foi direta. "Isso já está assinado, já está oficial. Não só essa parceria com o chef, né, e também Fogões pelo Mundo, que vai acontecer agora em janeiro, na Colômbia."
E veio o anúncio mais relevante. "E aí a gente vai fazer o primeiro Fogões pelo Mundo no Brasil."
A declaração fecha o circuito que a reportagem vinha acompanhando em outra entrevista: o Brasil chega à negociação com título mundial na bagagem, e a associação já projeta sediar etapa internacional em território nacional.
O orgulho que fecha a entrevista
O presidente lembrou o resultado de outubro em Treviso. "O maior orgulho: a notícia de que um brasileiro foi vencedor lá na Itália."
O entrevistador completou. "Marcos. Parabéns. Você foi o nosso representante brasileiro."
O nome é Marcos Muzzi, paulista de 51 anos, engenheiro de alimentos e criador de abelhas nativas sem ferrão, campeão do Tiramisù World Cup 2026 na categoria Receita Original, em disputa com cerca de 320 competidores de 33 países.
O que sustenta o número
O mérito operacional de um evento com 22 aulas-show, 12 concursos e um jantar harmonizado em dois dias não está apenas na curadoria.
Está em infraestrutura: cozinhas simultâneas, insumos para provas técnicas, cronograma de jurados, controle sanitário, gestão de resíduos e equipe de apoio.
É por isso que o modelo da ABRACHEFS se replica em etapas nacionais Minas Gerais, Piauí, Goiás e Amapá em 2026, além do Rio e por isso a associação consegue negociar com parceiros europeus em posição de igualdade. A estrutura vem antes do convite.
A edição nacional de 2027 já tem destino definido: Pernambuco.
Bio do chef Pedro Alex
Pedro Alex da Silva do Nascimento é chef de cozinha, presidente nacional da ABRACHEFS — Associação Brasileira de Chefs de Cozinha e Bartenders, coordenador-geral da regional fluminense e curador do Circuito Gourmet Internacional de Chefs.
Carioca, formado em Gastronomia e pós-graduado em Gestão e Planejamento de Restaurantes, acumula mais de 30 anos de atuação no setor e é uma das principais vozes da gastronomia brasileira.
Sua trajetória é marcada por prêmios e funções de articulação: foi vencedor do Enchefs 2018, coordenador da edição carioca do concurso em 2021, recebeu a medalha Alumni Diamante da UNESA e, em 2019, foi consagrado Embaixador da Gastronomia do Estado do Rio de Janeiro, título vitalício concedido pelo Comitê da Gastronomia Brasileira.
É fundador do Grupo Circuito Gourmet, projeto que deu origem ao circuito internacional de chefs e que, sob sua curadoria, realiza etapas em estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Piauí, Goiás e Amapá, com edição nacional prevista para Pernambuco em 2027.
Também assinou a curadoria do Circuito Gourmet da Gastronomia Afro, projeto contemplado pela Faperj em parceria com a UFRRJ, dedicado à comida da diáspora.
Em 2026, comandou a organização de O Mundo à Mesa, no Rio Othon Palace, em Copacabana, evento que reuniu 23 chefs com origens ligadas a 16 países, 22 aulas-show, 12 concursos técnicos e um Jantar Magno harmonizado a seis mãos, com entrada gratuita.
No mesmo período, confirmou a oficialização de parceria internacional envolvendo o chef italiano Pasquale Iuliani e o projeto Fogões pelo Mundo, com etapa na Colômbia em janeiro e a primeira edição brasileira em estruturação.
Sua gestão se apoia em uma convicção simples e verificável na operação: eventos dessa magnitude não se sustentam em talento isolado, mas em disciplina — processos rígidos, hierarquia clara e padrão de execução em cada etapa, da cozinha à arrumação do salão.

Por Robson Talber, @robsontalber, repórter Henrique Pianta, @piantahp.
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