Ricardo Piovesan, da Grey's Attack, exibe canetas-tinteiro de Harry Potter, catanas de anime e o kit de sobrevivência do Rambo em evento que espera 35 mil pessoas no Riocentro

'Não há ninguém vendendo': expositor leva ao Carioca Matsuri itens colecionáveis importados que não existem em nenhuma outra banca

O empresário Ricardo Piovesan, da Grey's Attack, foi entrevistado durante o Carioca Matsuri 2026, no Riocentro, na Barra Olímpica. O festival ocupou o Pavilhão 2 entre 31 de outubro e 2 de novembro, com expectativa de receber cerca de 35 mil pessoas em mais de 11 mil m².

O diferencial da banca está na curadoria, não no volume. "Eu tenho vários itens, faço importação até de vários itens exclusivos que não têm procura geral em si."

A exclusividade como modelo de negócio

O entrevistador pediu um exemplo, e o expositor apontou para uma peça específica da vitrine. "Para quem assistiu O Código da 20 vai entender. É difícil explicar agora ao vivo."

Perguntado se o critério era a exclusividade, a confirmação foi direta. "Exato. Não há ninguém vendendo."

A frase resume uma estratégia comercial distinta da maioria dos estandes de convenção: em vez de competir por preço em itens de catálogo amplo, apostar em produtos de tiragem restrita que criam escassez real. Quem procura aquele item não tem alternativa de compra no salão.

A caneta que virou personagem de filme

O segundo item apresentado foi a linha de Harry Potter. "Canetas-tinteiro."

O entrevistador conectou ao imaginário da franquia. "Inesquecível no filme, né?"

E Ricardo acrescentou o argumento que converte colecionador em comprador. "Colecionável e funcional."

A distinção importa. Uma réplica de exibição vai para a estante; uma caneta-tinteiro réplica pode ser usada. O objeto passa a ter duas camadas de valor — a memória afetiva da franquia e a função real de escrita com pena e tinta.

O entrevistador completou o raciocínio. "Antigamente escreveram a arte com esses itens, com a peninha, com bastante tinta." E Ricardo emendou o detalhe histórico. "Com a cera para fazer o selo. Tudo isso."

As catanas e o produto do momento

Na sequência, veio a categoria que ele classificou como a mais procurada da feira. "Temos catanas, que é o produto do momento. Catanas de anime, material bambu, não quebra."

A especificação técnica explica o apelo. Catana é a espada tradicional japonesa de lâmina curva, associada ao universo samurai e onipresente em animes. Um item de bambu, resistente o suficiente para não quebrar em uso recreativo, transforma a peça de objeto frágil de decoração em produto que suporta manuseio.

"São itens funcionais, muito procurados aqui no evento."

O resgate do Rambo

O bloco seguinte foi o da nostalgia. "Eu estou com um aqui para quem é saudosista, não pode esquecer. A gente é da época do Rambo."

O item apresentado é uma faca de sobrevivência com kit embutido. A descrição dos componentes foi feita ao vivo. "Bússola e o kit de sobrevivência, que é anzol, linha, fósforo."

O entrevistador destacou o peso da peça. "Bem pesada, né? É na qualidade de original." E Ricardo confirmou o critério. "Mantendo a originalidade do filme."

Item Origem Característica
Peça exclusiva (Código da 20) Importação Sem outro vendedor no evento
Canetas-tinteiro Harry Potter Colecionável e funcional
Catanas de anime Fabricação em bambu Não quebra, uso recreativo
Faca de sobrevivência Rambo Kit com bússola, anzol, linha e fósforo

O item que provocou a reação da entrevista

No encerramento, a banca reservou a peça de maior efeito visual — um cabelo alto, réplica de personagem, que rendeu a brincadeira sobre encontrar a irmã do personagem no evento.

A sequência revela um aspecto do mercado de colecionáveis que vai além do objeto: a performance. O item que gera riso, espanto ou identificação imediata se vende mais rápido do que o item tecnicamente superior que ninguém reconhece. Quem monta uma vitrine de convenção precisa saber quais peças produzem reação.

Por que o mercado de colecionáveis cresceu 252%

O segmento que sustenta essa operação está em expansão acelerada, e os números explicam por que uma banca de importados exclusivos faz sentido comercial.

Segundo dados da Circana, apresentados no Mercado Livre Experience, os colecionáveis cresceram 252% em valor no mercado brasileiro e já representam 52% das compras do público adulto. Esse público, chamado de kidult, avançou 92% no ano e responde por 17% do mercado nacional de brinquedos — enquanto os produtos destinados exclusivamente a crianças cresceram apenas 3%.

Indicador Dado
Crescimento dos colecionáveis (valor) 252%
Participação nas compras do público adulto 52%
Crescimento do público kidult 92%
Participação no mercado de brinquedos 17%
Crescimento do público infantil 3%
Mercado global de colecionáveis (2026) ~`US$ 20,8 bilhões`
Crescimento anual global acima de 11%

A Abrin confirma o movimento: cartas colecionáveis, miniaturas, blocos de montar e produtos licenciados estão entre as categorias de melhor desempenho no varejo nacional. Globalmente, o relatório Toy Collectibles Market projeta US$ 20,8 bilhões movimentados em 2026, com figuras colecionáveis, blind box, plush premium e licenciados puxando o crescimento.

O cenário em que a banca se insere

O Carioca Matsuri é o ambiente ideal para esse modelo. O festival ocupa 11 mil m² e projeta impacto econômico de R$ 30 milhões, com mais de 300 empregos diretos e indiretos.

A programação combina tradição e pop de forma deliberada: taikô com Wadan Taiko Ensemble e Rio Nikkei Taiko, gastronomia do chef Michelin André Kawai, dubladores como Guilherme Briggs, Wendel Bezerra e Feh Dantas, shows de anime songs com Karen Ito, Susana Sano, Serginho Tanigawa e Pamela Yuri, além do Mega Cosplay, oficinas de mangá, ikebana e exposição de armaduras do Jaspion.

É esse cruzamento que faz a banca funcionar. O visitante que entrou para ver taikô passa pela vitrine e reconhece a catana. O que veio pelo cosplay para na caneta de Harry Potter. O saudosista dos anos 1980 encontra a faca do Rambo. Nenhum dos três veio comprar — todos os três param.

Onde encontrar

O perfil informado foi @povesancolecionaveis, com atendimento também por telefone disponível no cartão da marca.

Bio de Ricardo Piovesan

Ricardo Piovesan é empresário e responsável pela Grey's Attack, marca dedicada ao comércio de itens colecionáveis e produtos exclusivos de cultura pop no Rio de Janeiro.

Sua atuação se distingue pelo modelo de curadoria em vez de volume: em vez de disputar preço em catálogos amplos, ele trabalha com importação de peças de tiragem restrita — itens que, segundo ele próprio, não têm outro vendedor no salão, criando escassez real e valor de coleção.

Seu portfólio combina franquias distintas e públicos diferentes: réplicas funcionais de Harry Potter como canetas-tinteiro com pena e tinta, catanas de anime em bambu resistente ao manuseio, e peças de nostalgia oitentista como a faca de sobrevivência do Rambo, acompanhada de bússola, anzol, linha e fósforo, replicando fielmente o item do filme.

Em novembro de 2026, expôs no Carioca Matsuri, no Riocentro, o maior festival de gastronomia e cultura japonesa do Rio de Janeiro, que ocupou 11 mil m² do Pavilhão 2, reuniu cerca de 35 mil pessoas em três dias e movimentou programação de mais de 80 horas com chefs Michelin, taikô, dubladores, anime songs e concurso de cosplay.

Sua estratégia acompanha um mercado em expansão acelerada: os colecionáveis cresceram 252% em valor no Brasil e já respondem por mais da metade das compras do público adulto, segmento que avançou 92% no ano e representa 17% do mercado nacional de brinquedos. Instagram: @povesancolecionaveis.

Por Robson Talber @robsontalber

Repórter Antonio Lemos, @djportugues

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Por Jornal da República em 04/11/2026
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