'Unir as duas coisas': soprano Susana Sano leva o canto lírico à música japonesa e emociona público no Carioca Matsuri

Nascida em Goiânia e radicada no Paraná, a cantora e professora de técnica vocal se apresentou no Riocentro e explicou como concilia o repertório clássico com a tradição familiar japonesa

A soprano Susana Sano se apresentou no Carioca Matsuri 2026, no Riocentro, na Barra Olímpica, no Rio de Janeiro. O festival ocupou o Pavilhão 2 entre 31 de outubro e 2 de novembro, com mais de 80 horas de programação e expectativa de receber cerca de 35 mil pessoas em 11 mil m².

Em entrevista após o show, ela começou pelo peso simbólico da estreia. "É um prazer estar no Rio. Segunda vez na cidade, primeira vez aqui no Carioca Matsuri, primeira edição. E foi fantástico."

A recepção do público

A avaliação da apresentação veio acompanhada de um detalhe sobre comportamento de plateia. "Ontem, hoje, um público bem contagiante.

O pessoal agita bastante com as músicas. É muito bom a gente trazer um pouco da cultura japonesa e um pouco do meu trabalho."

A observação tem significado técnico para quem canta lírico. Repertório de concerto costuma exigir silêncio e escuta contida. Um público que reage, canta junto e se manifesta durante a apresentação cria outro tipo de exigência: o intérprete precisa sustentar a emissão vocal enquanto responde à energia do salão.

O fio que atravessa a carreira

A trajetória de Susana não separa a formação clássica da herança japonesa — ela as sobrepõe.

"Eu canto desde pequena e carrego a tradição da minha família, mesmo cantando só, professor soprano, fazendo trabalho com músicas clássicas. A música japonesa também continua aqui dentro.

A gente sempre está participando desses eventos que envolvem a comunidade nikkei. É uma honra para mim."

A formulação é precisa. Uma soprano formada em repertório erudito ocidental poderia tratar a música japonesa como curiosidade de palco. Susana a trata como parte constitutiva do próprio repertório — e a escolha define uma carreira de nicho que poucos intérpretes brasileiros ocupam.

A técnica por trás da emoção

Perguntada sobre a intensidade da apresentação, a resposta veio de quem ensina o ofício.

"Cada apresentação é única. São canções que exigem muito da voz, preparam vocal. Como professora de canto, eu sempre digo: a gente tem que se preparar bastante. O canto lírico exige muito, e a música japonesa também tem exigências no canto."

E então resumiu o método. "A gente une as duas coisas e traz aqui um pouco de japonês e um pouco do erudito, misturando os dois estilos."

A combinação não é trivial. O canto lírico trabalha com ressonância ampliada, apoio diafragmático e projeção sobre orquestra ou piano, com dicção construída sobre fonemas italianos, alemães e franceses.

A música japonesa tradicional e a canção popular japonesa pedem outro tipo de articulação — vogais curtas, fraseado silábico, controle de nasalidade que o repertório europeu não treina. Unir as duas exige ajuste consciente de impostação.

Quem é Susana Sano

Nascida em Goiânia (GO) e atualmente residente em Mandaguari (PR), Susana Sano é apontada como uma das cantoras mais estimadas pela comunidade nikkei brasileira. Mantém, desde a adolescência, relação próxima com a música e a tradição japonesa, e se apresenta pelo Brasil e no exterior.

A agenda de 2026 comprova o alcance nacional. Em outubro, integrou a programação do Jungle Matsuri, em Manaus, no Vasco Vasques, ao lado de Paula Hirama e do grupo teatral Shingeki — evento com expectativa de mais de 50 mil pessoas em três dias. No mesmo mês, esteve no Carioca Matsuri, no Rio.

É o mesmo circuito que a leva de Norte a Sudeste: festivais da comunidade nikkei funcionam como rede de circulação para artistas especializados em canção japonesa.

Onde ela se encaixa na programação

O Carioca Matsuri organizou a música em duas frentes distintas. De um lado, o anime songs — repertório pop de abertura e encerramento de animês, com nomes como Karen Ito, Serginho Tanigawa, Pamela Yuri, Elize Fleury e a Orquestra Show YuYu20, que celebra quase 30 anos de Yu Yu Hakusho no Brasil. De outro, a canção japonesa tradicional, território de intérpretes como Susana.

Frente musical Artistas confirmados
Canção japonesa Susana Sano, Karen Ito, Elize Fleury
Anime songs Serginho Tanigawa, Pamela Yuri, YuYu20
Dupla Cintia Nishimura e Humberto Kenji Sasazaki
Taikô Wadan Taiko Ensemble, Ryuka Sousaku Eisa Taiko

A convivência das duas frentes no mesmo palco é o que dá sentido ao festival. O público mais jovem chega pelo cosplay e pelo anime; o público mais velho chega pela tradição. Uma apresentação de soprano em meio a shows de anime songs é uma ponte construída no palco.

A primeira edição e a herança do Rio Matsuri

O Carioca Matsuri nasceu como novo capítulo do Rio Matsuri, festival que se consolidou como referência no calendário carioca. A edição de 2020 reuniu 45 mil pessoas em quatro dias — número que dimensiona a base de público que o novo formato herdou.

O anúncio oficial da programação de 2026 foi feito em coletiva na Associação Nikkei do Rio de Janeiro, com a presença do cônsul-geral do Japão no Rio, Takashi Manabe — sinal do peso institucional que o evento carrega junto à comunidade.

O festival ocupou o Riocentro, na Av. Salvador Allende, 6555, com acesso pelo Pavilhão das Artes e estação de BRT próxima. Funcionou das 11h às 22h nos três dias. O impacto econômico estimado foi de R$ 30 milhões, com mais de 300 empregos diretos e indiretos.

Onde encontrar

O contato profissional é feito pelo Instagram @susanasano, com dois "s" no final.

Bio de Susana Sano

Susana Sano é cantora soprano, professora de canto e especialista em técnica vocal, reconhecida como uma das artistas mais estimadas pela comunidade nikkei brasileira.

Nascida em Goiânia (GO) e radicada em Mandaguari (PR), mantém desde a adolescência uma relação próxima com a música e a tradição japonesa — herança familiar que preserva mesmo depois de se dedicar ao repertório erudito.

Sua assinatura artística é a fusão deliberada de dois universos tecnicamente distintos: o canto lírico, com sua exigência de ressonância ampliada, apoio diafragmático e projeção, e a canção japonesa, com articulação silábica e fraseado próprios.

"A gente une as duas coisas e traz um pouco de japonês e um pouco do erudito", define ela, que trata a combinação não como curiosidade, mas como método.

Seu trabalho circula por todo o país em festivais da comunidade nikkei: em outubro de 2026, apresentou-se no Jungle Matsuri, em Manaus, ao lado de Paula Hirama, e no Carioca Matsuri, no Riocentro, no Rio de Janeiro — evento que ocupou 11 mil m², reuniu cerca de 35 mil pessoas e movimentou programação com taikô, dubladores, anime songs, cosplay e gastronomia de chef Michelin.

Como professora de canto, sustenta a convicção de que emoção no palco é consequência de preparo: "Cada apresentação é única.

São canções que exigem muito da voz. Como professora, eu sempre digo que a gente tem que se preparar bastante." Instagram: @susanasano.

Por Robson Talber @robsontalber 

Repórter Renata Barbosa @beleza.naotemidade

Sigam e compartilhem o nosso Instagram @jornalultimahoraonline

Por Jornal da República em 04/11/2026
Aguarde..