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A cantora, bailarina e atriz Pamela Yuri foi entrevistada durante o Carioca Matsuri 2026, no Riocentro, na Barra Olímpica, no Rio de Janeiro.
O festival ocupou o Pavilhão 2 entre 31 de outubro e 2 de novembro, com mais de 80 horas de programação e expectativa de receber cerca de 35 mil pessoas em uma área de 11 mil m².
A herança que vem antes da memória
A primeira pergunta foi sobre a origem da relação com a música japonesa, e a resposta recuou três gerações.
"Eu sou brasileira, nasci aqui no Brasil, mas desde criança meus pais me incentivaram a cantar, porque desde o meu avô tem esse costume de cantar nos concursos da colônia japonesa."
A frase descreve um fenômeno estrutural da comunidade nikkei brasileira: os concursos de canto da colônia são, há décadas, o principal mecanismo de transmissão musical entre gerações. Não são competições de talento no sentido televisivo — são rituais comunitários em que o repertório japonês, a dicção do idioma e a memória dos antepassados se mantêm vivos.
O início foi precoce. "Desde 1 ano e 10 meses, que foi a primeira vez que eu subi no palco, de um karaokê, eu canto."
E a decisão profissional veio tarde por fora, cedo por dentro. "Foi só com 19 anos que eu realmente decidi trilhar essa carreira como cantora profissional."
Os 15 anos que mudaram tudo
Aos 14 anos, veio o prêmio que abriria a porta. "Ganhei um concurso aqui no Brasil que me deu direito a essa passagem para o Japão e representar o Brasil lá num concurso internacional da música japonesa."
A viagem aconteceu aos 15 — idade que, no Brasil, tem peso próprio. "Foi realmente um presente de 15 anos", ela resumiu.
E a experiência teve uma camada que ela só revelou na entrevista. "Uma coisa que eu não comentei com você: nesse mesmo palco, a minha mãe tinha ido cinco anos antes para participar desse mesmo concurso. Então foi muito especial."
"E eu ganhei um prêmio especial dos jurados."
O reconhecimento tem nome técnico. Pamela foi tricampeã brasileira e recebeu o prêmio Shinsain Tokubetsusho no concurso internacional no Japão, em 2012. Mais tarde, tornou-se campeã pan-americana da COPANI — Convenção Pan-Americana Nikkei —, com direito a representar o Brasil no Paraguai.
| Marco na trajetória | Detalhe |
|---|---|
| Primeiro palco | 1 ano e 10 meses, em karaokê |
| Decisão profissional | Aos 19 anos |
| Viagem ao Japão | Aos 15 anos, após vencer concurso no Brasil |
| Prêmio no Japão | Shinsain Tokubetsusho (2012) |
| Títulos brasileiros | Tricampeã brasileira |
| Pan-americano | Campeã da COPANI |
A ponte entre a colônia e o país inteiro
A segunda metade da conversa tratou da experiência televisiva. "Foram vários anos tentando, porque é um dos maiores aqui do Brasil, se não o maior."
Perguntada sobre o que a passagem pelo The Voice Brasil representou, a resposta foi sobre representação. "Acho que eu pude levar um pouquinho da minha cultura japonesa também para o Brasil inteiro.
É uma experiência única poder estar em uma emissora tão grande aqui no Brasil."
O entrevistador mencionou o time de Michel Teló, que havia emplacado várias finais nas edições do programa. A observação contextualiza: passar por etapas daquele formato significava disputar espaço em um grupo historicamente competitivo.
A fala de Pamela toca no ponto central da trajetória dela. Uma cantora formada em concursos de colônia japonesa, com repertório e técnica voltados à música japonesa, não tem espaço natural em programa de auditório de música popular brasileira. Ela precisou cruzar essa fronteira, levando o repertório consigo.
A tríade que sustenta a carreira
Além de cantora, Pamela é bailarina e atriz. A combinação não é currículo inflado — é o que sustenta a operação.
Canta em bandas de baile, teatro musical e eventos por todo o Brasil. Fez parte do elenco de bailarinas dos quadros do Domingão do Faustão, na TV Globo, e teve participação especial no programa The Noite, com Danilo Gentili, no SBT.
Em um mercado que remunera mal o artista de nicho, a multiplicidade de funções é o que garante calendário cheio. Quem canta, dança e atua pode ocupar três tipos diferentes de contrato.
O festival em números
O Carioca Matsuri 2026 não é uma feira pequena de bairro. O evento ocupou 11 mil m² do Pavilhão 2 do Riocentro, com acesso pelo Pavilhão das Artes e estação de BRT próxima. A estimativa de impacto econômico foi de R$ 30 milhões, com geração de mais de 300 empregos diretos e indiretos.
A programação cobriu seis frentes distintas:
| Frente | Atrações |
|---|---|
| Gastronomia | Restaurante temático do chef Michelin André Kawai, workshops gratuitos de washoku |
| Tradição | Taikô com Wadan Taiko Ensemble e Rio Nikkei Taiko, danças típicas, ikebana e oshibana |
| Cultura pop | Dubladores Guilherme Briggs, Wendel Bezerra e Feh Dantas, painéis temáticos |
| Música | Anime songs com Rod Rossi, Karen Ito, Susana Sano, Serginho Tanigawa e Pamela Yuri |
| Cosplay | Concurso e desfile, incluindo final do Mega Cosplay |
| Imersão | Kimono Experience, oficinas de mangá, artes marciais, games tradicionais, realidade virtual, armaduras como as do Jaspion |
A presença de armaduras do Jaspion e a Orquestra Show YuYu20 — que celebra quase 30 anos de Yu Yu Hakusho — ancoram o festival em uma memória afetiva específica: a geração que cresceu assistindo tokusatsu e anime dublado em português na televisão aberta.
Por que um festival de cultura japonesa lota no Rio
O dado de 35 mil pessoas esperadas em três dias merece uma leitura além do entretenimento.
O Rio de Janeiro tem uma das comunidades nikkei mais antigas do país, e a colônia japonesa mantém escolas de idioma, associações, festivais de rua e concursos de canto há gerações. O Carioca Matsuri não inventa essa cultura — ele a amplia para um público que nunca teve acesso a ela fora do circuito comunitário.
É aí que a trajetória de Pamela se encaixa no evento. Ela é a personificação dessa ponte: formada nos concursos de colônia, premiada no Japão, apresentada ao grande público pela televisão, e agora em cartaz em um festival que reúne tradição milenar e universo otaku no mesmo pavilhão.
Onde acompanhar
O canal de contato informado foi o Instagram @pamelayuri, com grafia dupla no final, onde ela divulga agenda e eventos.
Bio de Pamela Yuri
Pamela Yuri é cantora, bailarina e atriz brasileira, reconhecida como uma das principais vozes da música japonesa no país.
Nascida no Brasil, carrega a tradição musical da família há três gerações — o avô cantava nos concursos da colônia japonesa, os pais incentivaram desde cedo, e ela subiu ao palco pela primeira vez aos 1 ano e 10 meses, em um karaokê.
A decisão de seguir carreira profissional veio aos 19 anos, mas a consagração chegou antes: aos 14, venceu um concurso nacional que lhe garantiu a passagem para representar o Brasil no Japão, onde, aos 15 anos, conquistou o prêmio especial dos jurados Shinsain Tokubetsusho, em 2012 — no mesmo palco em que sua mãe havia competido cinco anos antes.
É tricampeã brasileira de música japonesa e campeã pan-americana da COPANI, com representação do Brasil no Paraguai. Sua atuação vai além do canto: performa em bandas de baile, teatro musical e eventos por todo o país, integrou o elenco de bailarinas dos quadros do Domingão do Faustão, na TV Globo, e fez participação especial no The Noite, com Danilo Gentili, no SBT.
Passou também pelo The Voice Brasil, levando repertório japonês para o público nacional.
Em novembro de 2026, apresentou-se no Carioca Matsuri, no Riocentro, o maior festival de gastronomia e cultura japonesa do Rio de Janeiro, ao lado de nomes como Karen Ito, Susana Sano, Serginho Tanigawa e Rod Rossi, em evento que reuniu chefs Michelin, dubladores, taikô, cosplay e experiências imersivas em 11 mil m².
Sua trajetória faz dela uma ponte viva entre a tradição da colônia nikkei e o grande público brasileiro. Instagram: @pamelayuri.

Por Robson Talber @robsontalber
Repórter Antonio Lemos, @djportugues
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