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Padilha celebra virada na escala 6 por 1 e aposta que Lula "vira a eleição" em 25 de outubro

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quarta-feira (21), durante o ato "Mobilização em Defesa do SUS – Saúde com Lula", realizado na quadra da Unidos da Tijuca, no Rio de Janeiro, que o voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) a favor do fim da escala 6 por 1 é a prova de que o cenário eleitoral já se inverteu. Para Padilha, se o governo conseguiu mover um senador da oposição que historicamente votava contra as pautas dos trabalhadores, o mesmo movimento se repetirá nas urnas no dia 25 de outubro.
"Se ele virou o voto do Flávio na questão da escala 6 por 1, que ele votava contra e passou a votar a favor, e fez sua bancada a favor, também vai virar a eleição e o voto dos brasileiros. Eu confio na vitória no dia 25 de outubro", declarou o ministro, arrancando aplausos dos trabalhadores da saúde reunidos na Zona Norte da capital fluminense.
O episódio que virou argumento de campanha
A PEC do fim da escala 6 por 1 foi aprovada pelo Senado no dia 14 de outubro, em dois turnos, com 75 votos a favor e apenas um contra — o do ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS). A proposta garante jornada semanal de 40 horas, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois de descanso, sem redução salarial, e é uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula.
O voto de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, foi o que mais chamou atenção. Pressionado pela popularidade da medida a onze dias do segundo turno, o senador anunciou na terça-feira (13) que votaria a favor — proposta que ele próprio já havia chamado de "oportunista" — e registrou o voto de forma remota, sem participar dos debates no plenário. Aliados dele, como Sérgio Moro (PL-PR) e Marcio Bittar (PL-AC), preferiram não comparecer à sessão. Deputados petistas, como Erika Hilton (PSOL-SP), classificaram a manobra como "eleitoreira", e o próprio Flávio já sinalizou a empresários que defenderia revisão de pontos da proposta caso seja eleito.
O peso simbólico no segundo turno
Para Padilha, o episódio mostra que a pressão popular venceu a resistência partidária — e que o mesmo eleitorado que moveu o Senado decidirá a eleição presidencial. "O que virou o voto do Flávio foi a mobilização dos trabalhadores", resumiu o ministro, conectando o tema da escala à defesa do SUS, bandeira central do ato desta quarta-feira.
Na avaliação do governo, a aprovação da PEC consolidou Lula como o autor político da medida, ainda que o senador tenha registrado voto favorável. A leitura do Planalto é que o tema mobiliza justamente o eleitorado que decide eleições no país: trabalhadores de baixa renda, mulheres negras e mães que não têm um dia inteiro de descanso semanal — público que, segundo pesquisas internas, cresceu na intenção de voto presidencial desde a tramitação da proposta.
Ato transforma quadra de escola de samba em palco da saúde pública
O evento na Unidos da Tijuca reuniu o ministro Padilha, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e o deputado federal e ex-secretário municipal de Saúde Daniel Soranz, além de lideranças sindicais, parlamentares, movimentos sociais e integrantes da Frente pela Vida. A quadra da Avenida Francisco Bicalho, tradicional palco dos ensaios da escola campeã, foi tomada por trabalhadoras e trabalhadores da saúde em um momento de reta final intensa da campanha.
Enquanto Paes se engaja na campanha de Lula após a derrota eleitoral no estado, o governador eleito Douglas Ruas (PL) segue em campo pelo estado em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. O segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, chega ao Rio em clima de disputa acirrada — e o SUS, eternizado como um dos maiores programas de saúde pública do mundo, volta ao centro do debate.
Bio — Alexandre Padilha
Alexandre Padilha, 51 anos, é médico infectologista formado pela Universidade de São Paulo e uma das referências em saúde pública do Brasil. Iniciou a trajetória como agente de saúde em Porto Alegre e construiu carreira no Ministério da Saúde, onde foi ministro em duas ocasiões — na pasta da Saúde (2011–2014) e, atualmente, no terceiro governo Lula. Foi ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais e deputado federal, com atuação reconhecida na coordenação do programa Mais Médicos e nas campanhas nacionais de vacinação. Casado e pai de dois filhos, é conhecido por defender com rigor técnico e emocional o Sistema Único de Saúde.
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