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Presidente da Câmara de Maricá rompe com Quaquá e leva denúncia sobre Fundo Soberano à própria PF
Guerra política em Maricá chega a novo capítulo: Aldair de Linda, presidente da Câmara, rompe com o prefeito Washington Quaquá e criticou publicamente a aplicação do Fundo Soberano, levando o caso ao Ministério Público. A briga, que já havia separado o prefeito do ex-aliado Fabiano Horta e ido parar na Polícia Federal, agora divide o próprio PT da cidade.
O rompimento que abalou a política de Maricá
A guerra política em Maricá tomou proporções inéditas. Após o prefeito Washington Quaquá (PT) revelar, em abril, que foi denunciado à Polícia Federal pelo ex-prefeito Fabiano Horta e pelo vice-prefeito Joãozinho (PT), o cenário se agravou: agora é o próprio presidente da Câmara Municipal, Aldair de Linda, quem rompe com o alcaide e abre novo flanco de combate.
Na última terça-feira (6), Aldair declarou, durante sessão plenária, que não faz mais parte da base do governo. "O castelo medieval está desmoronando", disparou o vereador, que preside a Casa desde 2017 e era considerado um dos pilares do grupo de Quaquá. Para ele, o grupo político do prefeito começou a perder força após as brigas do período eleitoral — e o reflexo deve alcançar a prefeitura.
Aldair critica gestão do Fundo Soberano e promete investigação
O ponto de maior tensão, porém, está no dinheiro. Nesta terça-feira (20), em sessão na Câmara, Aldair e o vereador Netuno (PL) questionaram uma suposta transferência de mais de R$ 1 bilhão do Fundo Soberano do município para um banco privado em Brasília — banco que, segundo os parlamentares, teria entre seus sócios Guilherme Paes, irmão do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Netuno relatou ainda uma articulação para trazer o BTG Pactual para a cidade.
"Porque vou mandar direto para o Ministério Público Estadual", afirmou Aldair, cobrando transparência na aplicação dos recursos e prioridades para o município. A declaração foi direta contra Quaquá: "Se ele colocou, ele vai ter que pagar por isso." O Fundo Soberano, criado em 2017, acumulava mais de R$ 2,1 bilhões em maio deste ano, conforme dados oficiais, e é construído com os recursos do petróleo — patrimônio que se tornou o epicentro da briga política da cidade.
Crise no PT: ameaças, delegacia e derrota em plenário
O conflito internalizado no PT desembocou na polícia. O vereador Hadesh (PT), líder do governo Quaquá, afirmou que foi intimado a comparecer à 82ª Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos sobre supostas ameaças de morte atribuídas ao presidente da Câmara. Aldair nega as acusações e parte para o ataque, responsabilizando o grupo do prefeito pelas exonerações na administração municipal.
Nas urnas, o rompimento já havia se consumado: na reta final da campanha, Aldair passou a apoiar Fabiano Horta. O resultado revelou o desequilíbrio — Horta foi eleito deputado federal com 82.902 votos no estado, sendo 50.396 apenas em Maricá, enquanto Diego Quaquá, filho do prefeito, obteve 68.798 votos no estado e apenas 16.304 na cidade natal. A base do governo na Câmara foi além e rejeitou, por 13 votos a 3, a moção de congratulações ao ex-prefeito eleito.
A disputa que só termina nas urnas — e nos tribunais
São três frentes abertas ao mesmo tempo: a briga eleitoral entre Diego Quaquá, Fabiano Horta e Celso Pansera, ex-ministro e presidente da Codemar; a disputa pelo comando da Câmara, com o grupo do prefeito tentando eleger Hadesh contra Aldair; e agora a investigação sobre a aplicação do bilionário Fundo Soberano, que pode unir a oposição dentro e fora do PT. Com denúncias na PF, no Ministério Público e na polícia civil, Maricá vive a crise política mais profunda de sua história recente — uma bomba-relógio prestes a explodir.
Bio — Aldair de Linda
Aldair de Linda (PT) é vereador e presidente da Câmara Municipal de Maricá, cargo que ocupa desde 2017, sendo um dos políticos com maior longevividade na presidência do Legislativo da região. Reconhecido como operador político experiente, construiu sua trajetória na defesa dos servidores públicos e dos bairros da cidade, com atuação marcada pelo controle das contas públicas e pela transparência na fiscalização do Fundo Soberano, maior reserva municipal do Brasil. Figura central do PT de Maricá por mais de duas décadas, Aldair transitou da base governista à oposição em nome de posições que defende publicamente, incluindo a coragem de romper com aliados históricos quando julgou necessário. Sua atuação à frente da Câmara é marcada pela defesa da autonomia do Legislativo e pelo debate aberto no plenário.
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Fontes: A Buna RJ, Jornal Daki, Tempo Real RJ, Maricá Info, Diário do Rio, Última Hora Online (outubro de 2026).
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